O paulista Clóvis de Souza, de 39 anos, criou sua empresa virtual no ano em que estourou a bolha da internet – e centenas de empresas “ponto com” desapareceram da noite pro dia. A aposta na venda de flores online só ocorreu porque o empreendedor imaginava conhecer o terreno onde estava pisando.
Aos dez anos, começou no ramo como aprendiz de florista e aos 19, abriu sua primeira floricultura, em uma sala alugada na Mooca, zona leste de São Paulo. Tempos depois, passou a distribuir folhetos nas casas da região, ampliando as vendas para bairros vizinhos.
Se você se interessa por comércio online certamente já ouviu fala em long tail (cauda longa em bom português), mas o que exatamente significa esse termo?
Descomplicando: Muita demanda para um grupo de poucos produtos e pouca demanda para a grande maioria de produtos. Entendeu o problema? Muitos produtos, pouco espaço – a escolha óbvia é atingir a massa, a consequência é abrir mão dos modelos menos procurados.
No comércio tradicional, lojas físicas com funcionários, espaço limitado e custos altos, é comum e óbvio que os produtos mais procurados pelo público sejam os destaques ou até mesmo os únicos modelos a serem exibidos, excluindo das vitrines os produtos que não despertam interesse da massa.
Eis que surge o comércio online, espaço “infinito” , sem funcionários, ou seja, os custos dos produtos de nicho se aproximam dos custos dos produtos de massa. Agora a moda é segmentar, é buscar a diferenciação pela exclusividade, é atingir um pequeno público, mas ser o único a fazê-lo.
Estudo mostra que pessoas deixam de completar transações e migram para concorrência caso site demore para carregar ou apresente problemas. Usuários têm pouca paciência com sites de lojas, bancos e agências de viagem que são lentos, agem de maneira errada ou quebram durante transações, de acordo com uma análise da empresa de monitoramento web, Gomez, adquirida pela Compuware.
Enquanto compradores estão dispostos a enfrentar muitas filas nas lojas da vida real durante as festas de fim de ano, eles não querem saber de revendedores de web que demoram a abrir devido ao aumento do tráfego online. Mais de dois terços dos entrevistados dizem que não têm mais tolerância do que em épocas normais.
Quase todo mundo já ouviu a piada: “Não tem no Google? Então não existe!”. No livro “O Que a Google Faria?”, o proprietário de um dos blogs mais populares e respeitados da web sobre internet e mídia, Jeff Jarvis, defende exatamente isso.
Ao longo da obra, o autor interpreta as regras ditadas pelo Google com as quais devemos viver e fazer negócios em qualquer setor da sociedade, ilustra como essas leis podem ser aplicadas a diferentes empresas e analisa como o pensamento imposto pela empresa afeta nossas vidas e o futuro.O autor, que também é colunista do “Guardian” e criador da “Entertainment Weekly”, mostra como pensar de maneiras originais, enfrentar novos desafios, resolver problemas com soluções criativas, enxergar oportunidades e entender com outra perspectiva a estrutura da economia e da sociedade, ou seja, ver o mundo como o Google o faz.
No trecho extraído do livro, Jarvis fala sobre o fenômeno dos links. Ele explica como o ato de linkar modificou os antigos papéis e criou novos em todos os tipos de área de atuação, chegando a fazer a seguinte comparação: “O link muda a arquitetura fundamental das sociedades e das indústrias, assim como as vigas e os trilhos de aço mudaram o modo como as cidades e nações são construídas e seu funcionamento”. Veja abaixo.
*Nova Arquitetura -O link muda tudo
Na manhã de 11 de setembro de 2001, eu estava no último trem que saiu de Nova Jersey em direção ao World Trade Center, e cheguei pouco depois de o primeiro avião de terroristas ter acertado a torre norte. Embora eu não trabalhasse como repórter havia anos, eu ainda era jornalista e trabalhava para uma agência de notícias, então decidi ficar por perto do que era claramente uma grande reportagem – ainda não havia percebido o quão grande ou perigosa. Fiz anotações no local e conversei com sobreviventes, enviando relatórios para os sites e jornais de notícias do meu empregador. Uma hora depois, eu estava a cerca de uma quadra do World Trade Center quando a torre sul desabou. A nuvem de destruição foi mais rápida que eu. Cego por causa dos escombros e coberto por eles, fui abençoado ao encontrar refúgio no prédio de um banco. Depois consegui caminhar até a Times Square, onde escrevi minha reportagem e, finalmente, graças a Deus, consegui ir para casa.